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O Mapa não é o território

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O mapa não é o terrítório

 

O mapa não é o território, ou melhor, “um mapa não é o território que representa, mas, se estiver correto, tem uma estrutura semelhante à do território, o que justifica sua utilização” — Alfred Korzybski, Science and Sanity (1933, p. 58).

“O mapa não é o território” foi uma frase proferida pela primeira vez por Alfred Korzybski, um engenheiro, filósofo e matemático polonês, em um encontro da American Mathematical Society em 1931, e tornou-se um dos pressupostos da programação neurolinguística.

E o que isso tem a ver com comunicação clínica? Absolutamente tudo!

Vamos a um exemplo prático para entender melhor esse conceito. Imagine dois rapazes subindo em um elevador, de repente o elevador para em um andar intermediário, e entra uma moça com longos cabelos ruivos e extremamente cheirosa.

O rapaz à esquerda, imediatamente lembra-se da noite maravilhosa que teve no último final de semana com sua namorada, cujo perfume era exatamente o mesmo da moça que entrou no elevador. Nesse exato instante, ele fecha os olhos, e inspira profundamente, e sua cabeça é invadida por uma série de imagens boas, seu coração dispara, e ele fica extasiado.

Já o outro rapaz, tem uma sensação horrível ao vê-la, ódio misturado com tristeza. Acontece que esse outro rapaz lembrou-se da sua primeira namorada da adolescência, a qual tinha os cabelos também ruivos, e extremamente parecidos com a da moça que entrou no elevador. Essa namorada o traiu e humilhou de tal forma, que até hoje ele enfrenta problemas de confiança com as mulheres a qual se relaciona.

Veja, o território, uma moça entrando no elevador é imutável, o que muda são as representações que cada um dos rapazes faz desse território, da realidade. Cada um possui um mapa completamente diferente do outro, pois cada um construiu o mapa para interpretar a realidade, conforme sua história de vida.

Acho que essa figura representa de uma forma muito feliz e pertinente o que estamos discutindo nesse artigo. Ou seja, a verdade não é importante, o que é importante são as representações da verdade, representações que são verdadeiras para cada pessoa.

“O mapa não é o território”, e proponho aqui uma releitura, o verdadeiro para cada pessoa, ou seja, sua interpretação da realidade, não é a realidade em si, no entanto, se explorarmos ao máximo, por vários ângulos e sentidos essa realidade, podemos usar um modelo que se aproxime bastante dela, e, portanto, esse modelo se justifica para sua interpretação.

Bom, parando de “viajar um pouco”. Na prática, quando atendemos uma pessoa, e temos como objetivo melhorar ao máximo nossa comunicação com ela, precisamos parar de tentar explicar a realidade segundo o nosso mapa, e devemos tentar ampliar ao máximo o mapa dela.

Para cumprimos esse objetivo de ampliar a estrutura do mapa do outro, temos dois passos importantes, primeiro, tentar entender como o outro interpreta a realidade, e depois, por meio de perguntas desafiadores, tentamos aprofundar a estrutura desse mapa.

Esse esquema abaixo resume esse conceito:

Nos próximos artigos irei explorar melhor como podemos usar as perguntas desafiadores de forma a enriquecer a estrutura dos mapas.

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